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    Boletim Eletrônico - nº 07  

     

    ecolatina Educação: o caminho para um futuro sustentável

     

    Seminário discutirá valores e ações que poderão contribuir para a transformação humana e social através da educação.

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    As bases para a integração da responsabilidade individual e coletiva e os princípios da educação para a construção de sociedades sustentáveis serão alguns dos temas do Seminário Nacional Educação para uma Sociedade Sustentável, que acontece no dia 18 de outubro, durante a 7ª edição da Ecolatina.

    Partindo do princípio que o ato de educar deve ser pensado muito além das salas de aula, o encontro deverá levantar a questão dos benefícios para a sociedade advindos de uma educação que promova valores, comportamentos e estilos de vida voltados para um futuro sustentável. A busca pela transformação social positiva comprometida com o meio ambiente tem a educação como sua ferramenta estratégica.

    Esta é a opinião do subsecretário de Ensino Superior de Minas Gerais, Octávio Elísio Alves de Brito, que participa do encontro. Segundo Brito, a educação voltada para o interesse da sociedade não deve se limitar ao desenvolvimento socioeconômico, mas deve privilegiar também a inclusão social: “A educação deve ser pensada como uma expansão comprometida com o esforço de pesquisa científica e tecnológica que, além da geração de conhecimento, busque também contribuir para o desenvolvimento do país”, afirma.

    “Educar e Pensar Globalmente”. Este será um dos temas que integra a programação do Seminário que contará com a presença do professor e cientista Ph.D em Física Quântica Universidade de Waterloo, no Canadá, Harbans Lal Arora. Na visão do professor, os seres humanos estão acostumados a pensar cartesianamente quando, na verdade, deveriam pensar e sentir globalmente, ou seja, deveriam também pensar na sua região, no seu bairro e no seu vizinho.

    “Quem não compreende seu próprio universo não pode globalizar. Temos que pensar na educação pela compreensão e revalorização dos nossos valores globais, respeitando a nossa cultura e espiritualidade”, defende Arora. Para ele, os professores devem estar preparados não somente para a educação formal, mas também preparados culturalmente para dar aos seus alunos uma formação mais humanista, com ênfase nas relações interpessoais. “O ensino deve ser programado a partir de três pilares: família, escola e sociedade, que devem ser trabalhados em conjunto em prol do crescimento integral dos alunos”, completou o cientista.

    Quanto ao papel do Estado como indutor de políticas públicas em educação e meio ambiente, o professor disse que elas são muito boas, mas, ao mesmo tempo, são muito aquém da implementação necessária e desejada. Segundo ele, vários fatores tais como problemas financeiros, baixos salários dos professores, as condições inadequadas das escolas entre outros, contribuem para impedir o progresso nessa direção. “É urgente um plano para aceleração da implementação das políticas já traçadas. Na realidade nós precisamos transformar o meio ambiente em ambiente integral, quero dizer, o ambiente externo harmonizado com o ambiente interno.”

    O gerente de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, Aluísio Cardoso de Oliveira, também convidado para o Seminário, concorda com Arora. “O Estado é hoje o grande indutor de políticas públicas em Educação e Meio Ambiente. Ele encabeça o processo no que diz respeito a execuções e ações e a sociedade civil deve dar apoio. A dificuldade é que não existem fundos públicos para a educação ambiental. Em Belo Horizonte, por exemplo, as instituições que realizam este tipo de trabalho vivem dos seus próprios recursos. Por outro lado, falta hoje uma articulação maior dos professores, bem como espaço para promover essas transformações nos municípios”, relatou.

    Quem também participará do encontro, na condição de coordenador dos trabalhos, será Ricardo Botelho Tostes Ferreira, diretor de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais. Ele entende que o Estado deve estimular as boas práticas ambientais sendo sempre referência para a sociedade, a partir de uma postura coerente e alinhada com os princípios da sustentabilidade e pode contribuir também com apoio e participação em iniciativas que promovam a melhoria da qualidade de vida. “Porém, não devemos esperar que as soluções venham apenas do poder público, é fundamental que cada cidadão faça a sua parte”, ressaltou.

    Na avaliação de Ailton Krenak, assessor especial para Assuntos Indígenas do Governo mineiro, as escolas e professores podem contribuir com a disseminação do conceito de sustentabilidade junto aos alunos a partir da eleição de um currículo nascido do profundo engajamento nos processos transformadores como as revoluções tecnológicas modernas e a partir da herança cultural com seus valores permanentes. Krenak faz uma referência à obra de Alice Brill "Da Arte e da Linguagem”, para embasar seu comentário “...em vez de imaginar um mundo caminhando para um progresso utópico e cada vez mais distante e inacessível, podemos nos voltar para as nossas origens, na busca de inspiração e de valores permanentes."

    Ainda de acordo com o assessor, a educação vem se destacando como fator de desenvolvimento social e humano ainda pautada pela urgência do sistema capitalista. “A educação está evitando confrontar os desafios de mudanças profundas no rumo das nossas economias, infra-estrutura e materiais transformados da natureza”, concluiu. Krenak, estará no evento no Minascentro debatendo o tema “A Pedagogia Aplicada à Cultura da Sustentabilidade e a Ética Global”.

    Para o Seminário Nacional Educação para uma Sociedade Sustentável foram convidados, além de Krenak, Arora, Tostes, Aluísio e Octávio, o ex-ministro da Cultura, Aluísio Pimenta, a diretora da Coordenação de Educação Ambiental do Ministério da Educação (MEC), Raquel Trajber, entre outros.

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