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A busca pelo estreitamento da lacuna que existe hoje entre a criação da tecnologia social e sua efetiva implantação será tema do Fórum Brasil Sustentável: Tecnologias Sociais, que acontece no dia 19 de outubro, durante a 7ª edição da Ecolatina. Para as tecnologias sociais, importa essencialmente que as mesmas sejam efetivas e reaplicáveis, propiciando desenvolvimento socioambiental em escala.
O trabalho desenvolvido pelo citricultor Paulo Lenhardt, do Instituto Morro da Cutia, ilustra bem a funcionalidade e a importância das tecnologias sociais. A organização não governamental, localizada no município de Montenegro, a 70 km de Porto Alegre, coordena projetos de reciclagem de resíduos industriais em larga escala, convertidos em adubo orgânico para os agricultores da região.
Também é destaque o projeto de reciclagem de óleo de cozinha transformado em combustível para veículos diesel. Este, aliás, será uma das novidades que Lenhardt pretende apresentar ao público da Ecolatina. No dia 18 de outubro, Lenhardt chegará a Belo Horizonte com a sua S-10 apelidada de “Pasteleira”. O carro, movido a olho de fritura utilizado em bares, restaurantes e indústria, irá percorrer 1.800 km e deverá consumir cerca de 400 litros de óleo durante o trajeto para Belo Horizonte.
Sócio da Fundação AVINA – organização suíça patrocinadora do projeto da miniusina de coleta e reciclagem do óleo de cozinha e do veículo teste – Lenhardt já rodou mais de 122 mil Km com óleo vegetal reciclado. A idéia do óleo de cozinha transformado em combustível surgiu da necessidade de se dar um destino final ao óleo vegetal usado sem contaminar o meio ambiente. Os riscos ambientais e sanitários provocados pela destinação inadequada do óleo vegetal usado que, na grande maioria das vezes é simplesmente disposto no ralo da pia ou diretamente no lixo comum, são grandes.
A primeira etapa do projeto foi a implantação de um sistema de coleta do material. Em Montenegro, foi desenvolvida uma estrutura para garantir o acondicionamento adequado do óleo recolhido até que ele fosse limpo. Uma campanha de conscientização, na qual foram esclarecidos os riscos que a disposição inadequada do resíduo poderia trazer, bem como os benefícios de sua utilização como biocombustível foi indispensável. A campanha teve como principal objetivo incentivar a população a recolher o óleo e a gordura utilizados na fritura, acondicioná-los em recipientes adequados e levá-los até o posto de recolhimento. Uma vez captado, o destino do óleo passou a ser uma estação de limpeza.
São necessários 20 dias para a reciclagem do óleo. O material fica duas semanas de repouso para que os sejam decantados. Daí, é misturado com água, para que o sal seja separado. Uma fervura é utilizada para evaporar a água. Abastecido o veículo, a própria água quente do motor é usada para esquentar o óleo a quase 90ºC. Assim, ele fica menos denso e mais parecido com o diesel original.
Com 15 restaurantes da cidade atuando como fornecedores fixos, Lenhardt tem garantido combustível para outra caminhonete e mais dois tratores. Mas, o que vale, segundo o citricultor, é a parcela de contribuição que cada um possa dar para um planeta mais limpo e sadio. “Os benefícios são inúmeros. O uso do óleo vegetal como combustível não colabora com o efeito estufa, pois todo carbono expelido foi anteriormente seqüestrado da atmosfera pelas plantas que produziram o óleo”, salientou. Idealizadores do projeto acreditam que o óleo de cozinha é o biocombustível do futuro, pois é barato, simples de ser produzido, não é tóxico, não é explosivo ou inflamável, pode ser produzido por pequenos agricultores e pode ser usado na propriedade como combustível e como alimento.
Além de Lenhardt, participam do 2º Fórum Brasil Sustentável: Tecnologias Sociais, o coordenador pedagógico do Programa do Semi-Árido Brasileiro, Antônio Gomes Barbosa; o engenheiro agrônomo e criador da Produção Agroecológica e Sustentável, Aly Ndiaye, entre outros. |